A REGIÃO EM QUE VIVEU RAMATIS

Indochina é a denominação (já em desuso) que os europeus deram para o Sudeste Asiático, o qual é formado pelos seguintes países: Tailândia e Birmânia (Mianmar); e Vietnã, Laos, Camboja – a chamada Indochina francesa, por ter sido, desde o século XIX até meados de 1950, um protetorado francês.

No Camboja, ou melhor, Kambodje, existiu uma avançada civilização surgida a partir do séc. VI, mas conhecida entre os séc. IX e XIV, cujas ruínas até hoje assombram os pesquisadores, pois foi onde a arquitetura e a escultura hindu alcançaram o seu apogeu. Era denominado Império Kmmer, cuja capital era Angkor. O Império Kmmer está entre as que os historiadores denominaram de “Civilizações Perdidas”, devido a ser muito pouco divulgada, pois, apesar de rica, era uma sociedade muito fechada.

Conforme nos foi informado, Ramatis viveu no Kambodje no século X, na época do rei Jayavarman V, que reinou entre 968 e 1001, quando construiu seu famoso templo iniciático.

RESUMO DA HISTÓRIA DO IMPÉRIO KMMER

Além de templos e monumentos magníficos a civilização do antigo Kmmer se notabilizou pela construção de grandes reservatórios e diques, que coletavam a água do rio Mekong e das pesadas chuvas das monções. Utilizavam a água coletada para irrigação que eram essenciais na agricultura, pois permitiam a colheita de arroz duas a três vezes por ano, o que lhes facultou grande prosperidade. No império Kmmer, do ano 802 até aproximadamente 1340, reinaram cerca de 27 governantes, os principais foram:

- Jayavarman II (802-835) – “Jaya” significa vitorioso e “varman” o protetor. Ao declarar independência do império de Java, sua gestão marcou o conhecimento do império Kmmer.Adotou o hinduísmo como a religião oficial e o deus Shiva como divindade suprema.Foi reverenciado como “deva-raja” ou deus-rei com poderes absolutos e lealdade divina, que se mostrou ser uma estratégia inteligente para unir a nação,fortalecer o exército e posteriormente construir as grandes obras que marcaram o crescimento constante da capital Angkor.

- Indravarman I (877-889) Foi considerado o primeiro dos grandes construtores entre os reis Kmmer.

- Yasorman I (889-910) construiu o primeiro grande reservatório Baray do leste.

- Suryavarman I (1010-1050), começou o segundo grande reservatório de Angkor, o Baray ocidental que é quase duas vezes maior que o Baray do leste.

- Udayadityarman (1050-1066), terminou a construção do reservatório Baray ocidental, construiu um templo dedicado ao deus Shiva e alguns monumentos ao senhor Buda.

- Suryavarman II (1113-1150), este rei foi um grande conquistador, conduziu diversas campanhas bem sucedidas contra o inimigo tradicional do Império Kmmer, o reino de Champa. Estendeu sobremaneira o império Kmmer, além de muitos monumentos, construiu o monumental “templo-cidade” Angkor Wat, dedicado ao deus Vishnu, que é uma das grandes maravilhas do mundo com sua arquitetura magnífica.

- Jayavarman VII (1181-1219), apesar de ser filho do rei Dharanindravarman II, quando este morreu, retirou-se em exílio voluntário para o reino do Champa, onde governou uma província local e dedicou-se também à meditação.  No seu lugar assumiu seu primo, que logo foi destronado, o reino passou por várias tribulações e Jayavarman VII viu-se obrigado a retornar. Quando em 1777 um invasor oriundo do reino de Champa, “o Homem-Poderoso”, saqueou Angkor, foi pressionado pelos seus generais para organizar a resistência. Após 5 anos de luta, ele expulsou o “Homem-Poderoso” de Angkor em 1181, quando ascendeu ao trono aos 51 anos de idade.

Começou um reino brilhante de quase 40 anos, durante o qual foi o período mais fértil de construções de templos e monumentos em todo o Império Kmmer, que se estendeu por boa parte do Vietnã, Laos e Tailândia. Isto contribuiu para a lenda de Buddharaja, o Rei-Buddha, que privilegiou a compaixão em governar, pois destinou muito de suas energias e capacidade organizacional aos projetos de construções religiosas e sociais. Devoto do budismo Mahayana construiu Angkor-Thom ou “Templo-Montanha”, em cujo interior está o magnífico templo Bayon com seus 50 rostos de Bodhisattwa Avalokivestara, o Buda da Compaixão. Além de diversos templos e monumentos, construiu uma rede de estradas saindo de Angkor e ligando-a à todo o reino, o que facilitou o transporte de colheitas e bens. Construiu ainda 121 casas de descanso ao longo das estradas e 102 hospitais que dispersou por todo seu reino, na tentativa de melhorar as condições de vida dos seus súditos. O reinado de Jayavarman VII é considerado o ápice do império Kmmer, após sua morte em 1219, o império iniciou o seu declínio.

- Indravarman II (1219 - 1243.), também budista devoto da linha Mahayana, deu continuidade às numerosas obras de seu pai Jayavarman VII.

 - Jayavarman VIII (1243-1295), pode ser chamado de “o destruidor”. Hinduísta fanático, nada mais fez no seu longo reinado do que destruir, remover ou desfigurar os monumentos e estátuas de Buda, transformar templos budistas em hinduístas e apagar o nome de seus antecessores dos monumentos e registros históricos. A única atitude inteligente de Jayavarman VIII foi pagar tributo ao rei mongol Kublai Khan em 1283, a fim de evitar que o império Kmmer fosse invadido.

- Srindravarman (1295-1309), era um budista devoto, mas não da linha Mahayana e sim da linha Theravada, que foi adotada em todo o reino. Essa linha preocupa-se somente com o autodesenvolvimento espiritual, assim o rei não era mais considerado como “deva-raja” deus-rei, o que de certa forma quebrou a unidade do reino. Foi em 1296 que o embaixador chinês Zhou Daguan viajou por todo o império e escreveu suas famosas crônicas, as quais serviram para os historiadores compreenderem o cotidiano Kmmer.

- Jayavarman Paramesara (1327 - ?) Desde essa data o império Kmmer entrou em franca decadência: não houve mais inscrições em pedra, não houve mais construções de grandes templos maciços, não houve mais manutenção dos sistemas extensivos de irrigação e conseqüentemente ocorreu grandes quebras nas colheitas de arroz. Desde 1352 diversas tentativas de invasão foram feitas pelo reino Thai, até que em 1431 o reino do Sião (Tailândia) invadiu Angkor. Nessa data, por pressão dos invasores, a capital mudou de Angkor para Phnom Penh.    Em 1863 o Kambodje, junto com Vietnam e Laos, tornaram-se protetorados do governo francês, formando a chamada Indochina francesa.

 

Compilado por
Ghynne